Obras Hospitalares

Na década de 70 inicia a redução da área por leito em consequência do processo de desospitalização – menor tempo de internamento com maior taxa de ocupação dos leitos. Esse é resultado das ações básicas de promoção à saúde e do avanço tecnológico que, com a diminuição do tempo de permanência do paciente no hospital, acaba por transformar o edifício hospitalar em um local de referência tecnológica para diagnóstico e tratamento.

Com respeito a valorização da pessoa emergem os conceitos de humanização, acolhimento e responsividade, que interligam os usuários com os profissionais da saúde num complexo entrelaçamento em prol da qualidade na prestação dos serviços de saúde com a consequente qualificação dos espaços.

Parâmetros de Sustentabilidade: Edifício Verde

 • eficiência energética

• racionalização do uso da água

• qualidade ambiental interna

• implantação e relação com o entorno

• sustentabilidade dos materiais

• inovação de projeto

A única certeza que é possível ter em relação ao edifício hospitalar é a sua mutabilidade constante; é preciso estar especialmente atento a essa situação já nas fases iniciais de planejamento. • A infra-estrutura hospitalar planejada pode se mostrar obsoleta, tornandose inadequada às constantes transformações para a implantação de novos serviços médicos-hospitalares ou de tecnologias de suporte. 

 O projeto modular é essencial, não apenas para o dimensionamento modular de compartimentos, mas porque todos os remanejamentos internos ou ampliações deverão ser realizados sobre a malha ortogonal virtual.

 

Um aspecto essencial para a obtenção de maior flexibilidade do edifício hospitalar é a utilização interna de partições leves removíveis. • As paredes de alvenaria estão sendo abolidas dos projetos hospitalares em função dos inconvenientes causados por demolições, as quais, geralmente, levam a interrupções parciais ou totais, por prazos extensos, dos serviços em sua área de influência, além de provocar ruídos e seqüelas nos equipamentos mais delicados. • A tecnologia mais acessível economicamente e tecnicamente exeqüível em nossa realidade é a “dry-wall” – gesso acartonado.

 Armários visitáveis de instalações – shafts

 Espalhados estratégicamente pelo edifício de modo a permitir a passagem, visitação e manutenção regular das principais prumadas verticais das instalações prediais.
• Devem estar situados, sempre que possível, nas circulações intersetoriais, ou seja, em corredores amplos nos quais as atividades de manutenção não
venham a interferir nas atividades rotineiras da instituição.

É necessário que também os sistemas de instalações horizontais sejam acessíveis para a manutenção e serviços de ampliação ou modernização. São utilizados forros falsos, em placas removíveis, nas circulações intersetoriais, de modo que o acesso aos mesmos possa ser possível sem a interrupção das atividades rotineiras dentro dos setores.

Andares técnicos de instalações e equipamentos 

Um dos recursos com que podem contar os edifício hospitalares, em busca de flexibilidade de utilização, é a implantação de andares técnicos sobre as áreas de alta tecnologia. Centro cirúrgico, unidades de tratamento intensivo, de diagnóstico por imagens, etc.

Materiais de acabamento e flexibilidade

• A constante alteração do edifício hospitalar leva inevitavelmente ao abandono do emprego de materiais artesanais, visto que a escolha de materiais de acabamento para hospitais deve nortear-se pelo princípio básico da execução rápida e limpa.

Hospital é uma obra em constante modificação

• Motivos: • Aumento da demanda • Implantação de outras unidades • Aumento da complexidade (novas tecnologias) • Adaptações gerais (reformas) • Obsolescência funcional • Pressupostos fundamentais: • A manutenção em condições ótimas das instalações sanitárias é um fator essencial, não só para evitar riscos, mas também para garantir a qualidade assistencial da assistência.

• O pó e as demolições que se originam das construções e reformas que ocorrem nos hospitais e arredores pode ser veículo de transmissão de microorganismos (fungos e Legionella) aumentando o risco de contaminação do ambiente que exige a adoção de medidas preventivas especiais em relação às obras.

• Nas obras e reformas é necessária a participação do grupo encarregado da prevenção e controle de infecção que deverá participar em todas as fases das obras para assessorar e assegurar o cumprimento adequado das medidas de prevenção e controle de infecção.Obras no ambiente hospitalar – dar importância à prevenção

Ações para a execução das obras:

  • 1. Avaliação de riscos para áreas críticas, semi-críticas e não críticas;
  • 2. Acesso de material e de pessoas – externos e internos; Entradas independentes nunca por áreas críticas
  • 3. Execução de tapumes, vedações, proteções, aberturas temporárias, andaimes, escoras, etc.; Estanqueidade total. Setorização com material rígido.
  • 4. Determinação de zonas independentes para a entrada e entrega de material para a obra;
  • 5. Descarga de caliça e material: Afastada de equipamentos de AC e tomadas de ar exterior; Afastada de Unidades Críticas e Semi-críticas; Ser transportada em carros fechados Obras no ambiente hospitalar
  • 6.Anular e fechar dutos de climatização e ventilação que possam afetar as áreas críticas;
  • 7. Usar tintas com menos odores;
  • 8. Exaustão para odores, gases, e particulado (pó);
  • 9. Proteção acústica e técnicas de desmonte mais silenciosas;
  • 10. Uso de equipamentos com bases anti-vibratórias;
  • 11. Programação de horários para diversas atividades;
  • 12.Transtornos externos (incômodo dos vizinhos, ruído, pó, fumaça, queda de material, etc.);
  • 13.Cuidados com áreas de manipulação de material infectado, químico e radiativo;
  •  14. Proteção e prevenção contra vazamentos e infiltração de instalações hidráulicas e de águas pluviais, etc. Obras no ambiente hospitalar
  • 15. Obra deve estar limpa e ordenada. Realizar limpezas rotineiras úmidas para evitar o levanta e a acumulação de poeira;
  • 16. Considerar circulações específicas para a equipe considerando seus acessos, vestiários, sanitários e alimentação;
  • 17. Estabelecer protocolo para o recebimento da obra. Conforme Caderno de Encargos. 

 

MONZA, Luciano. Futuro dos edifícios para a saúde: tendências. Palestra proferida no IV Congresso da Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar – ABDEH. Brasília, DF, em 14 de abril de 2010. • MADRIGANO, Heitor. Modernização e revitalização dos recursos físicos: manual do administrador. Rio de Janeiro. Editora Guanabara Koogan. 2006. • SILVA, Janaína Palaoro da. Obras de manutenção predial em Estabelecimentos de Assistência à Saúde e seus impactos na segurança do paciente. Porto Alegre, 2012. Monografia – UNISINOS. • FIORENTINI, Domingos. Obras no ambiente hospitalar. São Paulo. Aula 710. • España. Recomendaciones para la Vigilancia, Prevención y Control de infecciones em Hospitales em Obras. Sociedad Española de Medicina Preventiva, Salud Publica e Higiene. Madrid, 2000. • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS. – Brasília: Ministério da Saúde, 2009.